Território da Poesia
Canção por Bernardo Pinto de Almeida
O Encontro por Ozias Filho
Traz-me violetas por Maria João Cantinho
A Mirra dos Dias por Paulo Moreiras
A Morte das Estrelas por Manuela Gonzaga
Obra ao Rubro por Manuela Gonzaga
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por
Bernardo Pinto de Almeida
Limiar de ser entre sombra e voo à face de ser pouco mais que sopro Sem saber se é criatura ou ar entre o não sei quê e o saber voar
Todo iluminado feito só de errância conhece o acaso e a circunstância
Ténue passageiro de um gesto a lembrança no seu voo ei-lo como uma criança Sem rosto nem rasto despido de branco voa contra o vento ébrio de ser anjo. ______________________________________ por Ozias Filho E tu chegaste como a palavra que de súbito irrompe a madrugada de tempestades e eras a calmaria aparente com a tempestade dentro de ti. E eu, tempestade aparente, aguardava a calmaria aparente que vinha de ti. E de repente encontramo-nos encontramos nus tempestade e calmaria calmaria e tempestade uma dança inevitável. Como o sentimento que encontra no poema o seu par perfeito
______________________________________ por Maria João Cantinho
Traz-me violetas, hoje. Traz-me violetas e deixa-me a sós com a loucura por céu. Deixa-me a sós com lágrimas. Tudo está aqui, junto de mim. E das coisas tenho um silêncio que levo para dentro. É assim que a chuva entra na pedra e que o orvalho traz a luz da noite até à pequena flor oculta no sopé da montanha. Sabe a flor do orvalho como eu de lágrimas e do tempo que voa como um animal de luz intensa onde tudo se liberta, onde tudo cai para dentro. São asas de solidão as que por mim passam sem fundo e sem navios de regresso. ______________________________________ por Paulo Moreiras Poema n.º 4 há muito que deixei de ser mar agora perco-me entre gotas de lusco-fusco e nas mãos desenho os dias como se fossem figuras sólidas de geometria o tempo gasta-se na soma do que não consigo equacionar e só tu és o resultado entre dois sinais ali estás e isso basta. Este poema pertence ao livro "A Mirra dos Dias" de Paulo Moreiras. A publicar. ______________________________________ por Manuela Gonzaga Poeira e Cinza no fim de nada Migalhas de ferro a arder Parecem jóias Sóis velhos nas franjas do mundo A adormecer na fogueira cansada e branca Tão branca Algumas constelações Estremecem Como se fosse preciso Suspender, por momentos, a respiração da Dança E nós tão longe Sem poder Fazer nada… por Manuela Gonzaga Que o coração arda Na fogueira Até ao fim: É assim a boda, o banquete vermelho Foi o que me disse um velho rei E tinha a cabeça cortada Estes dois poemas pertencem ao livro "A Obra ao Rubro", (a publicar) de Manuela Gonzaga
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