Arquivo


Em Buda peste

Por Mário Monthault

 

Larry RiversMário Monthault é músico. Brasileiro de gema, habituado à sonoridade das palavras, está a ultimar o seu próximo CD. Um encontro com Xico Buarque proporcionou este texto em jeito corrido de missiva urgente. Maravilhoso. Ou como é possível "ouvir" um texto.


Em Buda peste


E “As Regalias De Tresbaltar”, Chico? Não me conformo delas ali emolduradas à nossa frente naquele bar mediterrâneo, aquela puta tela, Chico, síntese das conversas andanças em...Profilãns De Andafirema!!! Lembra? Perdôo-te de olvido nossas reminiscências vistas, conversadas e sequer mencionadas em seu novo livro. Enraivei um pouco, mas deslizes do tipo, na saga de infinitas caminhadas...O papel aceita tudo, né Chico, por isso ao micro canto só estas breves na mistura de tratamento. E que eu saiba, o Gilberto Gil também não musicou, tal prometera na época, múltiplas passagens de um brilhante Estorvo. E desde Estorvo que pelo olho-mágico eu tocava, mordia e cheirava o palpitar letreiro do teu ouvido-músico aos belghúngaros sinos de Belémcalcutá, a ouvir Egitos. Ouvir Egitos na Hungria Carioca. E assim seja, Chico Buarque Dos Moinhos, que em Buda peste inevitável há ; que fome ouvido são de palavras no ouvinte dos sinos aviões e idiomas acesos no sol que põe a cama e as migalhas do ideal amoroso falante, talvez a única Música Real de um pobre mundo endinheirado e sem música. Então, ouça Chico, e escreva a música esparramada, leitor, de todas as conversas vivas: a peste, de Buda quase às vésperas do natal que morde, redenta, alíngua, demorde aos bálsamos em fúria de auditivo a salvo, conduto que graças te dou por vos ter mantido em jejum das falsas sonoridades de rádio, buarque escriba dos ouvidos esfomeados de tantas palavras, musicais não importam se de luz ou são de vento, os pães de orelha amém de Buda peste:: dos vocábulos cabíveis no ouvido em vésperas do natal d’inevitáveis sânscritos da Tran’stõrva luz, incidindo ainda obliquamente nas “Regalias De Tresbaltar”, lá em... Profilãns De Andafirêma Lêmbro!!! Nunca fiz um poema. Só toneladas, toneladas de versos para minhas amadas. Ao contrário seu, Chico, nunca fui, não sou, nem serei escritor, poeta, compositor. Apenas uma coisa esquisita em constante cio expressivo; daí a pressa de minhas amantes imperfeições de todos os carnirvanais. E desculpa a urgência desta missiva se vos confesso que na última página chorei.

[VOLTAR]