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Poemas

Por Fernando Gregório

 

Aqui estou longe, muito longe das colinas iluminadas, sei que este
é o resultado de ter sido criado
aquém de todo o conceito luminoso. Movo-me assim pela sombra acompanhando o
gesto lento de um Outono invasor.
Tenho por hábito sorrir ao desespero e só as distâncias louvarei.
Procurarei pois o silêncio junto às esquinas da cidade, construirei templos
entre os carros que cruzam a cinzenta pele da serpente.
Anularei assim a carne no interior do mistério da fluidez do tempo.

fernando
gregório--------portimão


corpos entre a luz do dia e a vingança das palavras/a chacina dos olhares
entre as mãos iniciadas/
não serão as súplicas, nem os lamentos traídos escutados/
o tumulto e o desejo falarão da sua distância no seio da
inocência, abandonando os juramentos atraiçoados/
e um cristal brilhante entre dois corpos sondará as margens dos precipícios,
sem que nada se saiba
das palavras complacentes dos amantes/
existe igualmente o amor entre as coxas do desconhecido e uma dúvida tíbia
próxima do que é pronunciado pelos amantes/
e no intimo desse cristal amável serão abandonadas as feridas dos
instrumentos do inexplicável/
repudiada será então toda a extensão da afronta/

portimão 29 de
outubro 2003
fernando gregório

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