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Para Uma Poética do Objecto

Por Olavo Rubens

 

Zurbarn,Poemas de grande contenção, minimalistas. Um olhar sobre o que nos rodeia, transformado pela força do sentir poético e pelo ritmo das palavras.Um contacto estreito, sensual, privado, com objectos que parecem tão familiares.

COLHER

É íntima das bocas:

as mornas mucosas

na carne de alumínio.


No côncavo do corpo

beijos vorazes da gula

nos delírios do apetite.


Depois é restar vazia

Na solidão de mármore da pia.


ESPELHO

Ali estava o outro – o meu eu cintilando

nos corpúsculos de luz e nitrato de prata.

Era o duplo de mim, o eu-reflexo,

trânsito da minha passagem

na paisagem do mundo,

o último movimento da carne

no armarinho do banheiro.


PRATO

Em seu bojo fumegaram refeições, sucumbiram apetites,
tiniram garfos e facas roçando-lhe o corpo de louça.
Em sua circunferência de gostos e paladares, a vida
- toda boca e dentes -, matou a fome de cada dia.










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