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David Lodge - O Senhor das Palavras

Por Helena Vasconcelos

 

David Lodge esteve em Lisboa para apresentar o livro "Autor, Autor" (edição ASA), uma biografia romanceada de Henry James. A Storm, em colaboração com o jornal Público www.publico.pt , entrevistou o escritor britânico.

Numa fria noite londrina, em Janeiro de 1895, Henry James, o celebrado autor de “Daisy Miller” e de “Retrato de uma Senhora” estava tudo menos calmo. A sua agitação, depois de meses e meses de expectativa, inícios fracassados, atrasos e dificuldades, tinha atingido o auge. Finalmente, a sua peça histórica “Guy Domville” ia subir ao palco, no St. James’s Theatre. Angustiado e ansioso, preferiu assistir a “Um Marido Ideal” do seu arqui-rival Oscar Wilde, que fazia furor a uns tantos quarteirões de distância. No final, James não resistiu à tentação de se esgueirar para os bastidores do St. James’s, para assistir à cena final, numa tentativa para captar as reacções do público. Foi então que, ao cair do pano, ouviu o chamamento “Autor, Autor”, da boca do seu produtor e principal actor...

A apoteose de um final glorioso, numa feérica noite de estreia, era o momento por que ansiava. Mas, quando fez a vénia da praxe, o que ouviu foi uma imensa pateada, vinda da geral, à mistura com alguns aplausos da plateia bem recheada de amigos e admiradores. A humilhação que sentiu foi dolorosa, traumática e deprimente.
Henry James tinha-se convencido que era possível trazer para a dramaturgia um produto que colocasse a “arte” em pleno coração do West End, que ele acreditava estar ofuscado e dominado por obras “comerciais”, demasiado populares e apenas orientadas para o lucro fácil. No entanto, a sua teimosia ao optar pela escrita para teatro, tinha como finalidade esse mesmo sucesso que, por vezes, lhe parecia abjecto. Mas precisava de dinheiro, estava cansado dos modestos proventos que a sua obra lhe proporcionava, embora não fosse pobre, e desejava ardentemente um reconhecimento mais alargado. Textos e mais textos tinham sido penosamente elaborados, cortados e recortados, recusados e mal tratados, ao sabor dos caprichos de uma indústria volátil e exigente. “Tenho trabalhado como um cavalo – mais arduamente do que alguém possa imaginar – no mistério que representa a técnica(da dramaturgia)”, escreveu ele ao irmão, William James.

A decepção sentida em consequência deste falhanço penoso poderia ter acabado de vez com um autor menos brilhante do que James. No entanto, foi a partir deste experiência que ele, nos anos que se seguiram, escreveu algumas das suas melhores obras, como “As Asas da Pomba” (1902), “Os Embaixadores” (1903) e “O Cálice Dourado”(1904). Segundo Leon Edel, que ganhou um Pulitzer com a sua monumental Biografia de Henry James, o autor conseguiu transformar o insucesso do seu malogro num sucesso de criatividade. E foi a partir deste episódio que David Lodge desenvolveu a acção do seu último romance “Autor, Autor” (Ed. Asa), uma ficção biográfica do Mestre que exemplifica o árduo trabalho do processo criativo na busca da perfeita caracterização das personagens, da sensibilidade apurada para o delinear dos conflitos emocionais e, principalmente, da aplicação da PALAVRA certa.
David Lodge, conhecido pelos retratos satíricos do universo académico dos últimos trinta anos é Professor Emeritus de Literatura Inglesa Moderna da Universidade de Birmingham, Commander of the Order of the British Empire e Chevalier de l'Ordre des Arts et des Lettres. Ganhou um Prémio Whitbread em 1980 e já foi finalista do Booker, por duas vezes, em 1984 e em 1988. A sua carreira literária começou em 1960 com “The Picturegoers”, pouco tempo antes de ocupar a cátedra na Universidade de Birmingham onde se tornou amigo de Malcolm Bradbury. Nessa altura, tinha 25 anos, casara e era pai. Basta ler “Um Dia O Museu Britânico Vem a Baixo” para se compreender como era a sua vida nesses tempos confusos de início de vida de adulto. Mais tarde, com a trilogia “Troca de Lugares”, “Pequeno Mundo” e “Bom Trabalho” Lodge desenvolveu uma espécie de épico delirantemente cómico que acompanha as flutuações, contradições e reveses do universo universitário das três últimas décadas. Criou duas personagens emblemáticas, Philip Swallow, o académico britânico com elevada taxa de insucesso, e Morris Zapp, o seu contraponto americano, mais agressivo e eufórico.
Lodge conta que, no “campus”, (a vida)era “intelectualmente, bastante excitante:os conservadores desprezavam os estruturalistas e depois, atiravam-se ao ar com os pós-estruturalistas. Quem estava metido no barulho divertia-se muito. Mas, passado algum tempo, começou tudo a afrouxar.
Lodge tem acompanhado sempre o Zeitgeist. Há menos de dois anos, publicou um volume de ensaios, “Consciousness and the Novel” (Penguin Books) onde explora o território interdisciplinar dos “estudos da consciência”, comum aos cientistas e aos filósofos. Em forma de romance, o mesmo tema foi abordado em “Thinks” onde, certamente influenciado pelo neuro-cientista e escritor António Damásio, transformou uma tese científica num best-seller de ficção.
Não é de admirar que tudo tenha levado a Henry James e, em certa medida, a William James, o famoso pensador que se movimentava com grande à-vontade entre a Filosofia, a Fisiologia e a Psicologia. Os dois irmãos completavam-se e William, na versão de Lodge,funciona como uma sombra tutelar que acompanha sempre os esforços de James. O autor que, de acordo com Lodge, foi um dos primeiros na Literatura de Língua Inglesa a conseguir fundir a “beleza e a verdade” surge, mais uma vez, aureolado pelo poder da sua arte mas também, como um homem bom que teve uma bela vida.


Helena Vasconcelos: Professor Lodge, ao longo da sua vida, ensinou Literatura. Simultaneamente, é um autor que escreve sátiras sobre professores universitários que, por sua vez, defendem teses sobre os grandes mestres, etc. Como lida com uma situação tão esquizofrénica?
David Lodge: Reformei-me em 1987 mas, quando ainda estava na Universidade, levava uma existência realmente esquizofrénica. Ensinava como qualquer outro professor, publicava textos críticos de Literatura e escrevia romances satíricos sobre as Universidades. Existia uma certa tensão, não tanto na própria actividade de escrita mas sim na persona social. A carreira académica está envolta numa certa mística e o que eu fazia nos meus livros era o oposto, uma actividade subversiva. Em “Autor, Autor” esses dois aspectos da minha vida encontraram-se, uma vez que não é um romance satírico, embora exista nele algum humor. No entanto é, basicamente, uma elegia.

H.V. Porque é que escolheu um escritor “real” como “vítima”?
D.L. Fui abordado por uma cadeia de televisão que me convidou a adaptar o romance de Georges Du Maurier, “Trilby”, que nunca tinha lido. Achei que não seria possível torná-lo interessante, para uma audiência mais alargada. Mas descobri, na introdução, que Henry James tinha estado envolvido na génesis da história. Du Maurier começou por oferecer a ideia a James, mas este respondeu: “porque não a escreves tu?” Foi o que aconteceu e Du Maurier teve muito êxito. Eu não fazia ideia de que “Trilby” tinha sido tão popular. Sabia que James tinha desejado intensamente ser um autor com sucesso e fazer muito dinheiro, o que nunca aconteceu. Achei bastante irónico que o seu amigo mais chegado tenha alcançado esse êxito no preciso momento em que a carreira de James se encontrava no seu ponto mais baixo, com o falhanço da sua peça de teatro.

H.V. Considera essa história como o epicentro de “Autor, Autor”?
D.L. Sim. Pensei que se acabasse o livro com James no momento em que ele adquire Lamb House e se sente confiante em relação ao futuro, não estaria a contar a verdadeira história. Mais tarde ele teve outra grande falha de confiança em si próprio. A história da sua morte – que enquadra o seu insucesso – é muito mais interessante e dramática. É claro que ele teve uma vida longa e conheceu um número infindável de pessoas e por isso não me podia dispersar, tinha de encontrar uma forma específica. A amizade entre James e Du Maurier forneceu outra das “chaves”.

H.V. No início de “Autor, Autor”, o Grande Homem está a morrer no andar de cima e, no andar de baixo, os criados comentam a dramática situação. Utilizou esta imagem para demarcar estrados distintos, os universos da vida “real”, prática e o do intelecto, da ficção e de uma certa transcendência?
D.L. Essa marcação de níveis foi muito importante porque Henry James é um artista muito rarefeito. As pessoas que escrevem sobre ele, que gostam dele, tendem a encará-lo a partir de uma avaliação muito particular.

H.V. Refere-se à reverência com que tem sido tratado? Auden e Pound teceram-lhe panegíricos mas H.G. Wells chamou-o de “hipopótamo patético”…
D.L. Sim. Creio que, em certa medida, ele era uma figura bastante cómica.

H.V. Está a falar da pomposidade vitoriana que era comum a outros homens da sua época como Barrie ou Lewis Carroll ?
D.L. Achei que se justificava escrever um romance e não mais uma biografia. Imaginei o que as pessoas do círculo de Henry James diziam dele, o que os criados pensavam. Interessei-me particularmente pela personagem de Burgess Noakes, que combateu na Grande Guerra, quase que foi morto e que voltou a Inglaterra para dar apoio ao moribundo Henry James.

H.V. É verdade que ele e os outros empregados acabaram por emigrar para a América?
D.L. Sim, foram trabalhar para o sobrinho de James e, que eu saiba, ainda ninguém escreveu sobre isso. O mais intrigante é que não descobri provas de qual seria a verdadeira natureza sexual de Burgess. Mas o meu palpite é que ele era muito parecido com o seu amo. Eram ambos celibatários e não mostravam tendências em relação ao sexo. Mas não seriam homossexuais, no sentido em que o era Oscar Wilde.

H.V. Acha que James, ao insistir na entrega da sua vida à Arte, estava a arranjar uma boa desculpa para a sua incapacidade sexual?
D.L. Em certa medida, essa seria uma forma de racionalizar a sua ambígua identidade sexual. Creio que ele tinha muito medo das mulheres, do contacto físico e não era suficientemente “liberto” para se tornar um homossexual activo. Existe um período na sua vida – que acontece depois da “minha” história principal – algures no início do século XX em que ele teve paixonetas por rapazes. Mas, ao apreciamos esses factos num contexto moderno, eles surgem bastante distorcidos.

H.V. Coloca o escritor austero a portar-se como um “tio” afectuoso em relação aos filhos e filhas do seu amigo Du Maurier. Noutra cena, James cai da bicicleta. Estas imagens servem para “desmanchar” a pose do grande autor?
D.L. É um dado importante porque coloca James num contexto humanizado. Ele gostava daquela família e tinha prazer em estar com eles. Claro que o episódio em que supostamente Agatha Christie o deita abaixo da bicicleta é invenção minha mas a verdade é que ela esteve naquele povoado e tinha cinco anos, na altura. Deu-me prazer inventar essa colisão entre ambos.

H.V. Como situa Henry James em relação ao Modernismo? É ele o último bastião de uma certa “ordem” antes do caos, o grande dinossáurio que sucede a Dickens, antes dos grandes embates fornecidos por D.H. Lawrence, Joyce, Virginia Woolf?
D.L. Não creio que James represente o fim de algo. Ele é o primeiro escritor modernista de Língua Inglesa, um romancista de transição entre o romance vitoriano e o simbolismo moderno e o romance experimental. Está algures entre George Eliot e Thomas Hardy, por um lado e Joseph Conrad, D.H. Lawrence e Joyce, por outro. O facto de James ser um romancista moderno reside no seu interesse pela corrente do consciente, pelos sujeitos e as suas experiências.

H.V. Por influência do irmão, William James?
D.L. Provavelmente. Ambos investigaram o mesmo fenómeno em disciplinas diferentes. James estava interessado na sensibilidade e na exploração da consciência. Apesar do seu experimentalismo escreveu com frases perfeitamente formadas e construiu histórias que tinham um princípio, um meio e um fim. Não foi tão longe como Joyce ou Virginia Woolf no sentido de quebrar barreiras. É um autor de transição que continuou a ser venerado pelos escritores do século XX e XXI, que comungam da sua ideia de tornar o romance mais preciso, mais profundo, mais “artístico” e menos comercial.

H.V. Colm Tóibin publicou “The Master”, com poucos meses de intervalo de “Autor, Autor” e Allan Hollinghurst também se baseia em James em “A Linha da Beleza”? Porquê esta verdadeira "loucura" Jamesiana?
D.L. Pensei muito no assunto e até escrevi uma longa peça intitulada “O Ano de Henry James”, que irá sair em 2006, dedicada a este fenómeno. Profissionalmente, foi um acontecimento nada bem-vindo que teve um efeito negativo sobre o meu livro. Para além dos mencionados houve, ainda, um outro livro sobre Henry James cujo autor andava à procura de um editor em 2004. O pobre homem não conseguiu que o publicassem. Há outra obra de Emma Tennant sobre James e Constance Fenimore Woolson que descobri quando estava a escrever o meu livro. Fiquei bastante perturbado. Disseram-me que David Leavitt também estava a escrever um romance sobre James mas que, ao se dar conta do que se estava a passar, teve de mudar tudo. O romance centrado na figura de um determinado escritor tornou-se uma forma muito popular e, por isso suponho que, mais tarde ou mais cedo, Henry James tornar-se-ia um alvo favorito. É provável que o interesse de Toibin e Hollinghurst não seja alheio à alegada homossexualidade de James. No meu caso, James interessa-me porque era um homem dedicado à Arte. Foi uma coincidência que vários escritores tenham tido essa ideia ao mesmo tempo.

H.V. Em James existe uma permanente tensão entre o “público” e o “privado”, um tema muito contemporâneo. Crê que foi isso que despoletou esta atenção?
D.L. Houve sempre interesse por Henry James e o material tem estado à disposição de todos, principalmente desde a publicação da biografia de Leon Edel nos anos cinquenta.

H.V. No tempo de James, houve um “boom” na imprensa e o teatro começou a dar grande visibilidade às pessoas.
D.L. Exactamente. A ideia do escritor como uma celebridade veio da América para a Inglaterra, durante a vida de James. Ele detestava tudo isso mas, por outro lado, desejava o reconhecimento. Creio que uma das fraquezas que tira bastante tempo aos escritores é a inveja. O facto de podermos ser amigos uns dos outros e rivais ao mesmo tempo, sempre me fascinou como tema. A meio da minha carreira, escrevi peças de teatro e guiões para a televisão e para o cinema. Não tive tanto azar quanto James mas sofri a minha dose de desapontamentos e frustrações e, por isso, pude identificar-me com ele. Escrever um romance não é muito excitante porque quase tudo se passa na cabeça de cada um, é um processo silencioso e privado. Ao passo que o teatro é, em si mesmo, bastante dramático, mais histriónico.

H.V. Curiosamente, Du Maurier torna-se ainda mais famoso ao publicar um romance, “Trilby” – praticamente esquecido -enquanto o amigo se “afunda” como dramaturgo… D.L. “Trilby” excitou as pessoas desse tempo. A rapariga a posar nua, o hipnotizador, o judeu, temas que hoje em dia nos parecem melodramáticos, de fraco gosto e um bocadinho estúpidas apelavam muito aos interesses e aos sentidos das pessoas. É como “O Código Da Vinci”.

H.V. E quanto às mulheres, na vida de Henry James? Em vez da amizade com Edith Wharton que é, talvez, mais conhecida do grande público, optou por se centrar na relação com Fenimore. Concorda que James tratava todas as mulheres – incluindo as da sua família, a irmã e a cunhada – com uma espécie de benevolência protectora mas distante?
D.L. Ele gostava da companhia das mulheres e apreciava a beleza feminina mas não queria a intimidade com as mulheres. No momento em que uma relação se aproximava de um tom romântico ou erótico ele recuava. Foi carinhoso com a irmã mas reconhecia que ela era neurótica e que nunca seria feliz…

H.V. Quando Alice morreu ele sentiu-se “aliviado", como faz supor, no seu livro?
D.L. Ele tinha a noção de que ela estava a sofrer. Para mim, foi uma revelação descobrir quão inteligente era Alice. James também ficou impressionado quando leu as suas memórias, depois de ela ter morrido.

H.V. E quais são as hipóteses de Fenimore se ter suicidado, desgostosa pelo facto de James não ter retribuído o seu afecto?
D.L. É quase certo que Fenimore se suicidou. Em “The Private Life of Henry James” Lyndall Gordon prova definitivamente que Fenimore Woolson preparou cuidadosamente o seu suicídio para que parecesse um acidente. Ela era depressiva, Creio que não se pode dizer que James a influenciou nesse sentido mas é compreensível que se tenha sentido bastante culpado.

H.V. É interessante como convoca a figura de Virginia Woolf, neste seu livro. James e o pai de Virginia, Sir Leslie Stephen conheciam-se…
D.L. Quase que introduzi uma cena em que a jovem Virginia e James se encontravam. Eles conheceram-se, na vida real. Aqui está um exemplo de como, para alcançar uma estrutura satisfatória, tive de sacrificar certas coisas que teria gostado de narrar. Concentrei-me no clímax que foi a estreia de “Guy Domville”, de contrário o livro seria extensíssimo. A segunda parte de “Autor, Autor” constitui uma memória do próprio James enquanto jaz no seu leito de morte. Certamente terá recordado acontecimentos cruciais como a morte de Fenimore, tão dramática e operática mas não a sua conversa com uma jovem como era Virginia, na altura.

H.V. Foca um tema muito "jamesiano", o confronto entre a “inocência” americana, versus a “sabedoria” da velha Europa. O próprio James parece um pouco inocente. Por exemplo, ele aprecia os autores franceses, Flaubert, Daudet, Maupassant, arrojados para a época, mas não admite que conhece essas obras. E quando é abordado pelas prostitutas a caminho de Teatro, a sua reacção é muito imatura.
D.L. James tinha um conhecimento da inocência que, na realidade, doou aos seus personagens americanos. Mas, uma vez que viveu durante muito tempo na Europa, o entendimento do “Mal” é extenso e é isso que torna a sua obra única e interessante. A oposição entre a inocência e a experiência é absolutamente crucial na sua obra.

H.V. Como vê James em relação à religião?
D.L. Ele teve uma educação pouco ortodoxa em contraste com a vitoriana. Sentia-se atraído pela estética do catolicismo, mas não pela doutrina, e nunca experimentou a clássica situação vitoriana de “perder a fé” . Ele trata a religião como uma instituição social. Mas, nalguns contos, usou símbolos católicos suficientes para deixar DuMaurier preocupado.

H.V. Qual a sua opinião sobre o estado de saúde do romance contemporâneo?
D.L. Como género literário, está de muito boa saúde. É uma altura de grande riqueza, embora a comercialização e a cultura dos Prémios “”corrompa” os grandes escritores. Quanto aos mais jovens, debatem-se com uma ascensão por vezes muito rápida que os eleva à categoria de estrelas. Por isso é que James e os seus dilemas, são tão importantes.

H.V. Quais são os escritores com quem se identifica mais: Kingsley Amis, P.G. Wodehouse?
D.L. Não me identifico com Wodehouse. Ele era um “entertainer” da classe alta. Kingsley Amis foi muito importante, numa determinada altura da minha vida. Ele tinha encontrado um tom de voz diferente e a sua observação do mundo académico produziu um grande efeito. Os escritores que mais me influenciaram foram Joyce, um católico como eu, e Graham Greene.

H.V. Outro escritor católico…
D.L. Eram todos escritores dedicados à sua arte. Isso é que importa. Não acredito que um bom escritor seja aquele que deseja alcançar uma proeza literária. Os bons escritores são todos perfeccionistas e permanecem insatisfeitos. E isso dá muito trabalho.

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